Há várias maneiras de consegui-la, mas só existe uma causa. O que faz um caminho ser o próprio senão a primeira coisa que passou por ele? Existiria um caminho se nada passasse por ele? E se eu não tivesse o meu, quem eu seria? Todas as partes de um fato contribuem na existência dos seus componentes, e assim, se forma o círculo em que tudo faz parte de um só ser e a única diferença é a forma em que está de acordo com o tempo.
Não há nada mais que a seqüência de ações para garantir que eu não serei o que eu quero, eu tenho certeza, eu não serei a pessoa que eu quero ser e a culpa é do que eu vejo, é do que eu absorvo, é do que eu mostro, faço. Mas isso não me vem ao caso, já que hoje, pensar no perfeito é pensar no impossível. Reclamar-me do que não posso consertar é tão mais frustrante do que a própria incerteza da morte; viver é bom, um bom pela metade, seria como o amor nas mãos dos demônios, é toda a negatividade que eu absorvi e agora passo pra vocês. Não posso salvar nada.
O que aqui já se passou de mal tinha que ser reconstruído no bem, mas hoje eu acho tão fácil matar, já nem sei se eu posso amar, meu amor é cheio de falhas. No futuro, o amor que é mais bonito morre, talvez nem seja o mais bonito, não senti todos os amores do mundo e nem vou sentir. Talvez eu esteja sendo duro comigo mesmo, talvez eu esteja tão relaxado, eu não vejo nada. É difícil ter que viver de momentos, ter que depender de desejos e o mais difícil de tudo, consertar. Eu não sei consertar a mim mesmo, imagino todas as outras energias.
Às vezes, acho que certas pessoas nasceram para ser sozinhas, quando falo certas pessoas, eu me incluo nestas. Não acredito no que eu sinto, e sem querer, acredito que o amor morre e os amantes fingem. Acredito com toda solenidade, no conhecimento e na experiência, nos mecanismos e em coisas que não existem pra vocês. Acho que autoconfiança é uma chave muito eficaz pra a comunicação. Creio que acredito demais e aceito muito pouco, mas de uma coisa eu tenho certeza... Você tem que ir lá embaixo, sentir o que é ruim e o que é bom, só assim você vai saber o que você realmente quer.
Por razões desconhecidas, o mal supera bem, eu não conheço você, tudo acontece do jeito que você não imaginava e depois exatamente do mesmo jeito. Quando algo passar a significar nada pra você é que o difícil passa a ser fácil, em outras palavras, de quanto mais pensamentos você se livra, não importa se eles são bons ou ruins, você se despreocupa e vive em paz. Seria esse o significado da morte? A paz após a libertação do corpo, além de todas as coisas materiais e as energias que o rodeiam finalmente poderiam ser facilmente escolhidas? Mas e as más memórias? Se as esquecermos não seriamos os mesmos, talvez apenas as compreendêssemos de um jeito diferente.
Todo o nosso império é de plástico e pode ser facilmente perdido, todo dia eu me torno outra pessoa. Eu ainda vou decepcionar mais, eu vou me machucar mais, eu não quero começar de novo, eu não preciso achar outro jeito de acreditar em tudo que mais quero, mas eu preciso de soluções, eu preciso me sentir bem. Achar a dança certa pra acompanhar a vida, esquecer o que me torna mal, o que me torna triste. Não há mais um sol, agora são lâmpadas fluorescentes lhe dizendo que todo caminho é o certo. Não posso me sentir bem só em poder sobreviver, não posso me sentir mal e inventar todo um sentimentalismo. Tudo isso é só a culpa que gira em torno do meu egoísmo.
É o que me torna mais mecânico que me surpreende, é ver que todos os caminhos já foram traçados, é saber todas as previsões. Procurar ter o que não pode ser roubado, custar, mas acreditar no que é raro. Levar a vida assim no acaso e trilhar um caminho mesmo que ele já exista, não se importar se não for o único, se importar em saber que foi você, naquele momento, foi você.
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